segunda-feira, 2 de março de 2015

O Sapo

Vagando pelo mundo agora, aquele sapo que outrora foste dono até  dos céus, segue cabisbaixo em sua jornada. Calado.
Jornada molhada. Tentando encontrar respostas para o que não  entende.
Foge do mundo. Foge de si... esconde-se em nada.
Ninguém  enxerga o buraco dentro de si. Esse vazio que esmaga o estômago, mas não é  fome.
Ou até  pode ser, já  que quase não  come e quando come quase nada lhe agrada.
Segue em sua jornada. Calado.
Carrega dentro de si a única capaz de lhe fazer sorrir, mesmo nas maiores tormentas.
E caminha. E sorri.
Em seu olhar carrega o brilho das estrelas.
E pára o mundo quando sorri.
É como se uma estrela caísse do céu bem lá dentro dos seus olhos.
Mas é  sapo.
Desde quando ninguém sabe.
Só  se sabe que caminha.
Calado...
E sorri.
E caem estrelas...
E o mundo pára...
Então ele se vai. E ao sumir no horizonte, parece que ainda brilham fragmentos de estrelas por onde passou.
...
Talvez o mundo não  saiba... o que existe além daquele verde, molhado e calado sapo que faz cair estrelas quando sorri.
Talvez não se saiba e nem nunca se saberá que dentro do sapo mora um príncipe. Dos mais nobres, finos e gentis.
Das poucas pessoas que souberam da história, nenhuma sabe afirmar se um dia o príncipe  voltará.
Então  ele saiu pelo mundo... caminhando e sorrindo. Sem pressa de ser príncipe. Aprendeu a ser sapo e ficou por lá.
Dizem alguns que o viram passar, que não se nega realeza. O reconheceram no olhar. E também que estar em sua presença é como ter estrelas na sala de jantar.

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