terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Insanidade


   Ás vezes é assim mesmo, ficamos sem saber direito o que acontece. Eu, por exemplo, hoje recorro à minha insanidade para aquietar a mente. Insanidade assumida, que tiro do armário e declaro ao mundo de boca cheia. Normais... ah, vocês são tão estranhos.
   Querem saber tudo sem conhecer nada. Quando se tem uma cabeça turbulenta como essa que carrego com tanta dificuldade, não se encontram saídas claras, caminhos limpos, passagens abertas. Tudo é complicado e intranquilo.
   E para complicar um pouco mais, em meus momentos de estranha frieza, de isolamento involuntário, tento definir os motivos que me deixam nesse estado, em vão. Nunca consigo saber o porquê de estar assim. Só me resta a incompreensão. Pior ainda quando me pedem explicações. Ah, pobre de mim! Se nem mesmo a minha mente é capaz de entender-se, quanto mais explicar ao mundo externo a correria que é aqui dentro.
  Aqui as perguntas misturam-se aos potencializadores de insanidade. Então imaginem, quão pior vai ficando a situação em cada nova argumentação. As interrogações entram pelos ouvidos, e seguem ligeiramente como flechas em direção à massa encefálica. Penetram cada célula tal qual dolorosas injeções perfurando a derme e camadas adiante. E enquanto tudo isso se passa, do lado de fora as coisas correm em outro ritmo; em outro tempo. E enquanto o tempo se vai. Passo os dias acreditando que isso um dia vai mudar e as coisas voltarão pro lugar.