sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Olhos borrados

Antes fosse um vinho derramado, algumas más lembranças e um motivo para borrar desse jeito estes olhos.
Ah... tenho os olhos e a alma borrados, uma cabeça latejante e mãos que não param de tremer.
Pensei ser fome, comi. Não era. Frio menos ainda, apesar das nuvens cinzas de lá fora, está calor.
E essas frases perdidas sendo gritadas constantemente dentro de mim. Não sei de onde vêm. Ou talvez até saiba... Cada uma delas. Mas qual o sentido de todas juntas? Nenhum.
Quem dera fosse um amor inacabado (ou acabado), ou mesmo a perda de um alguém querido. E não essas malditas frases que debocham do meu interior... Leem meus sentimentos e gargalham mais alto a cada segundo.
Estou cansado de juntar cacos invisíveis, fragmentos de algo que não sei o que é. Como montar um quebra cabeça com peças misturadas, perdidas, rasgadas. Antes fosse um motivo explicável. Afinal, qual motivo para tanta solidão?
Gostaria tanto de calar essas vozes, e sair cantando ao mundo minhas alegrias, meus versos de amor, colorindo a vida com cores as mais diversas. E até mesmo aprender a escrever frases sem mudar as palavras de lugar. Ah, como eu desejo ser mais claro. Explícito até.
Queria conseguir abafar essa insatisfação, essa amargura, essa coisa que chamam de frescura, de falta de vergonha, ou mesmo falta de vontade. Sentir-se atado aos próprios pensamentos... tropeçando em palavras no meio da escuridão. Um desejo insano de levantar, e sair correndo e agindo onde é preciso agir. Mas eu estou carregado de palavras, que pesam no estômago e me prendem à essa cadeira...
Antes fosse vinho derramado, algumas lembranças ou um motivo para borrar estes olhos. Como explicar que estou tropeçando em palavras que tentam mas não conseguem sair. Como calar esses gritos que infestam minha mente de frescura. ou não


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